Guia completo

O que é SPDA?
Tudo que sua edificação precisa saber

Da definição técnica à obrigatoriedade legal — um guia completo sobre o Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas para proprietários, síndicos e gestores em Belém.

Por Engesolar Engenharia · Atualizado em maio de 2025 · Leitura: 10 min

Definição

O que significa SPDA?

SPDA é a sigla para Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas — o conjunto de equipamentos e instalações projetados para capturar o raio e conduzi-lo de forma segura até o solo, protegendo a estrutura, os equipamentos elétricos e as pessoas que estão na edificação.

Popularmente chamado de "para-raios", o SPDA é muito mais do que uma única haste metálica. É um sistema integrado composto por captores, condutores de descida, eletrodos de aterramento e, em sistemas mais completos, dispositivos de proteção contra surtos elétricos (DPS) para os equipamentos internos.

🌩️ O Brasil tem a maior incidência de raios do mundo — mais de 77 milhões de descargas por ano. O Pará, pela sua posição geográfica equatorial, está entre os estados com maior densidade de raios do país. Belém registra tempestades elétricas com frequência muito superior à média nacional.

Como funciona o SPDA?

O sistema opera em três etapas fundamentais, cada uma com componentes específicos:

1. Sistema externo de captação — os captores

Os captores são instalados no ponto mais alto da edificação — mastros, hastes ou cabos horizontais — com o objetivo de atrair e capturar a descarga antes que ela atinja a estrutura de forma não controlada. O modelo mais comum é a haste Franklin: uma haste metálica pontiaguda que direciona a descarga elétrica para um caminho controlado, protegendo a estrutura adjacente.

2. Condutores de descida

Uma vez captada, a descarga precisa percorrer o menor caminho possível até o aterramento, sem atravessar a estrutura interna da edificação. Os condutores de descida são cabos metálicos instalados na face externa do prédio, com quantidade e posicionamento definidos conforme o nível de proteção da norma e a geometria da edificação.

3. Sistema de aterramento

O aterramento é onde a descarga é finalmente dissipada no solo. É composto por eletrodos enterrados (hastes, malhas ou anéis condutores) que criam uma conexão de baixa resistência entre o sistema e a terra. A resistência de aterramento — medida em ohms — precisa estar dentro dos limites da NBR 5419 para garantir a eficiência do sistema. É exatamente esse valor que o laudo SPDA mede e documenta.

SPDA externo vs. SPDA interno: o sistema externo (captores + descidas + aterramento) protege a estrutura das descargas diretas. O sistema interno (DPS — Dispositivos de Proteção contra Surtos) protege os equipamentos elétricos e eletrônicos de sobretensões induzidas por descargas próximas. Para proteção completa, os dois sistemas devem funcionar juntos.

Tipos de sistema SPDA

Sistema Franklin (hastes pontiagudas)

O mais comum em edificações convencionais — prédios residenciais, comerciais e industriais de médio porte. Utiliza uma ou mais hastes metálicas verticais no ponto mais alto, conectadas a condutores de descida e ao aterramento. É simples, eficaz e de manutenção relativamente fácil.

Sistema Faraday (malha ou gaiola)

Indicado para estruturas com grande área horizontal — galpões industriais, hangares, depósitos. Utiliza uma malha de cabos condutores sobre toda a cobertura, criando uma "gaiola" condutora que captura descargas em qualquer ponto da cobertura.

Sistema com captores PDI (não-radioativos)

Evolução do Franklin, com captores com dispositivos de ionização que ampliam a área de proteção. São aceitos pela NBR 5419:2015 desde que acompanhados de análise de risco específica e documentação técnica adequada.

Quando o SPDA é obrigatório?

A obrigatoriedade do SPDA é definida pela ABNT NBR 5419:2015, que adota uma abordagem baseada em análise de risco — levando em conta a frequência de raios na região, o tipo de uso do imóvel, as consequências de uma descarga e outros fatores. Em Belém, pela alta incidência de raios, a análise de risco frequentemente resulta em obrigatoriedade mesmo para edificações de médio porte.

Tipo de edificaçãoBase legalQuem fiscaliza
Edifícios com mais de 30m de alturaCódigo de Obras + NBR 5419CBMPA (AVCB)
Indústrias com potência > 75 kWNR-10 (Ministério do Trabalho)Fiscalização trabalhista
Área construída acima de 1.500 m²NBR 5419 + CBMPACorpo de Bombeiros
Hospitais, escolas, hotéisNBR 5419 + normas setoriaisVigilância Sanitária + CBMPA
Postos de combustívelABNT + normas da ANPCBMPA + ANP
Torres de telecomunicaçãoNBR 5419 + normas ANATELANATEL
Igrejas e templos religiososAnálise de risco NBR 5419CBMPA quando > 30m ou > 1.500 m²

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O que é o laudo SPDA e para que serve?

O laudo SPDA é o documento técnico que comprova que o sistema de para-raios instalado foi inspecionado por um engenheiro habilitado e está — ou não está — em conformidade com a norma ABNT NBR 5419:2015. Ele é o documento que o Corpo de Bombeiros exige para renovação do AVCB e que seguradoras exigem para cobertura de sinistros.

O laudo não substitui o projeto SPDA (que é feito antes da instalação), nem a instalação em si. Ele vem depois — como verificação periódica de que o sistema continua funcionando corretamente após meses ou anos de exposição ao clima e ao uso.

Com que frequência o laudo deve ser renovado?

A NBR 5419:2015 estabelece inspeção anual para a maioria das edificações. Em Belém, pela alta umidade que acelera a deterioração dos componentes metálicos do SPDA, o prazo anual não deve ser ultrapassado. O laudo também deve ser refeito após qualquer descarga atmosférica registrada na edificação, após reformas que alterem o sistema e sempre que órgãos fiscalizadores solicitarem.

Por que em Belém o SPDA deteriora mais rápido?

A umidade relativa do ar em Belém frequentemente ultrapassa 85%, especialmente no período de chuvas (dezembro a maio). Esse nível de umidade acelera significativamente a oxidação das conexões metálicas do SPDA — parafusos de fixação, grampos de condutores e, principalmente, os eletrodos de aterramento enterrados no solo.

Um sistema instalado em perfeitas condições pode ter sua resistência de aterramento fora do limite normativo em dois a três anos de uso sem qualquer falha de instalação — apenas pela ação natural da umidade e da acidez do solo paraense. Essa é a razão técnica pela qual o laudo anual não é apenas uma burocracia legal, mas uma verificação genuinamente necessária no contexto climático de Belém.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre SPDA

SPDA e para-raios são a mesma coisa?
O para-raios é o captor — apenas um dos componentes do SPDA. O SPDA é o sistema completo: captores, condutores de descida, aterramento e, em instalações mais completas, os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos). Popularmente, "para-raios" se refere ao sistema inteiro, mas tecnicamente são elementos distintos.
Quem pode fazer o projeto e o laudo SPDA?
Apenas engenheiro eletricista habilitado pelo CREA pode assinar projetos e laudos SPDA. O documento precisa ser acompanhado de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrada no CREA do estado onde a edificação se localiza. No caso de Belém, o ART deve ser registrada no CREA-PA.
Meu prédio tem para-raios mas nunca fez laudo. O que faço?
O mais comum é exatamente essa situação — para-raios instalado, sem laudo periódico e sem projeto. O primeiro passo é solicitar um laudo, que vai verificar o estado atual do sistema e dizer se está em conformidade com a norma. Se houver irregularidades, o laudo indicará as correções necessárias.
O SPDA protege contra raios internos ou só externos?
O SPDA externo (captores, descidas e aterramento) protege contra descargas diretas na estrutura. Para proteção dos equipamentos elétricos e eletrônicos contra sobretensões induzidas por raios próximos, são necessários os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos) — o SPDA interno. A NBR 5419:2015 aborda os dois sistemas, e uma proteção completa envolve os dois.

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